Inauguração do ISTAM - Discurso do Embaixador da França [fr]

Malanje, a 13 de Outubro de 2020
Faz fé o texto proferido

Excelência Senhor Presidente da República de Angola,
Excelências Senhoras e Senhores Ministros
Excelência Senhor Governador da província de Malanje,
Senhor Director do Instituto Superior de Tecnologia Alimentar de Malanje,
Caros amigos,

Excelência Senhor Presidente, vêm-me imediatamente à mente duas palavras para definir o que sinto neste dia de inauguração: a emoção e o orgulho.

Em primeiro lugar, a emoção: a emoção de assistir ao êxito de um dos projectos principais da cooperação entre os nossos dois países iniciado em 2008. Com efeito, pela qualidade das suas infraestruturas, pela excelência do seu corpo docente e pela sua missão de instrumento essencial para o desenvolvimento sustentável de Angola, o ISTAM ilustra perfeitamente os nossos esforços conjuntos a favor de uma agricultura, de uma alimentação e de um ensino superior modernos e ao serviço da sociedade, da juventude e do desenvolvimento económico de Angola.

Um imenso orgulho também: o de me encontrar aqui ao seu lado, por aquilo que será, sem dúvida, o meu último acto oficial enquanto embaixador da França antes de deixar Angola. Quero agradecer-lhe pessoalmente por isso. Cabe-me também transmitir em seu nome as saudações mais calorosas de sua excelência Emmanuel Macron, Presidente da República Francesa.

A França, Senhor Presidente, é uma velha nação agrícola e uma das primeiras potências agrícolas do mundo. A relação que cada francês mantém com a terra e com os seus frutos é muito mais do que uma simples questão utilitária. Considerado como o verdadeiro «celeiro da Europa», o nosso país fez da agricultura e da alimentação, desde há muitos séculos, uma componente essencial da sua identidade nacional. Há em cada um de nós um agricultor, e muitas vezes uma terra familiar que perdura. O nosso país ainda hoje conta com centenas de milhares de agricultores e... 350 tipos de queijos diferentes, o que fazia dizer ao General De Gaulle que não é fácil governar um país, a França, com tantas variedades de queijos... Esta relação essencial transmitiu-se de uma geração de produtores para outra, mas também transformou-se e modernizou-se graças a um esforço permanente do sistema francês de ensino secundário, de ensino superior e de investigação agrícola.

Se me permito recordar aqui alguns traços específicos da França, é porque estou profundamente convicto de que esta história poderia ser também a de Angola. Não por imitação de qualquer modelo estrangeiro, mas por um intercâmbio e um trabalho conjuntos, inovadores, que viessem apenas destacar o imenso potencial do vosso país. Angola poderia, por sua vez, tornar-se uma das principais potências agrícolas do continente africano.

A inauguração do ISTAM é, portanto, apenas uma etapa. Uma etapa essencial, mas que exige desde já que nos projectemos ainda mais:

Em primeiro lugar para o próprio ISTAM, que a França deseja acompanhar ainda nos próximos anos, ajudando à formação contínua dos seus professores e dos seus técnicos, e acompanhando as parcerias com instituições francesas, públicas ou privadas, que o reforçarão no seu papel de piloto da cooperação agroalimentar franco-angolana.

Em segundo lugar, porque os desafios são numerosos, prosseguindo a aplicação do plano de acção agrícola conjunto que se tornou uma realidade desde a visita do Ministro francês da Agricultura em 2019. Os eixos são numerosos, e citarei apenas alguns aqui:

  • Desenvolvimento do sistema de ensino técnico agrícola (ITA) mediante financiamento da Agência Francesa de Desenvolvimento;
  • Prossecução das cooperações no ensino superior, com o ISTAM, mas também com a Universidade do Huambo;
  • Cooperação no domínio das sementes;
  • Ajuda à sociedade civil e aos pequenos produtores;
  • Apoio à agricultura comercial...

Todos estes projectos apenas fazem sentido aos nossos olhos pelo seu carácter complementar, pela sua imbricação naquilo que, a prazo, permitirá criar um verdadeiro sistema que associe as esferas da formação, da produção, da transformação, da comercialização e, por último, do consumo. Estes projectos materializam também o compromisso e a determinação da França em estar ao vosso lado nesta diversificação da economia.

Senhor Presidente, terminarei aqui a minha intervenção, pois aqueles que me conhecem aqui sabem que poderia falar durante horas, tanto me apaixonam estes temas, e tendo em conta que ainda temos muito por realizar juntos.

Por fim, gostaria de expressar mais uma vez a minha gratidão pela honra que me foi concedida ao permitir-me acompanhar-vos hoje em Malanje.

Gostaria também de me dirigir através de si, Senhor Presidente, ao povo angolano para lhe dizer o quanto amei esta terra e este povo de Angola. Posso garantir que não estou aqui a me despedir para sempre, mas sim para dizer lhe, Senhor Presidente, caros amigos, um caloroso «até breve!»

Atualização : 14/10/2020

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